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Mais da metade da população brasileira classifica a saúde pública como péssima ou ruim

suspng_610x340Os mais de dois anos do programa Mais Médicos ainda não foram suficientes para mudar a percepção dos brasileiros em relação à saúde pública do país. De acordo com pesquisa do Instituto DataFolha, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina, a avaliação de quem precisa do serviço na rede pública se manteve estável em 2015: mais da metade dos entrevistados classifica a saúde como péssima ou ruim e 18% deram nota zero ao SUS.

De uma maneira geral, os pesquisados afirmam que até conseguiram ser atendidos, mas ressaltam que após a entrada no sistema vem as dificuldades com exames, cirurgias e procedimentos que precisam ser agendados. Os dados mostram que 30% dos brasileiros que precisam se submeter a procedimentos de alta e média complexidades no SUS não conseguem ser atendidos.

Iara Maria da Silva, de 46 anos, não foi entrevistada na pesquisa, mas poderia fazer parte desse percentual. Em 2010, ela descobriu que tinha hipertensão pulmonar e teve que deixar o trabalho como artesã. Hoje, passa a maior parte do dia em casa, deitada, porque não pode fazer esforço. Por orientação médica, tem que usar um aparelho para dormir, mas, antes disso, precisa realizar exames que na rede particular custam mais de R$ 600. No sistema público, aguarda o procedimento há mais de 2 anos.

Embora com um menor percentual de um ano para outro, a saúde continua sendo a área que o governo deveria priorizar, na avaliação dos entrevistados. O índice passou de 59% em 2014 para 43% em 2015. Por outro lado, aumentou a preocupação com educação e corrupção. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital Tavares, avalia que as constantes denúncias de desvio de recursos públicos contribuíram para este resultado.

Mais de 70% dos entrevistados avaliam que os recursos destinados ao SUS não são bem administrados. Os dados coincidem com o levantamento do Conselho Federal de Medicina que revela que nos últimos 12 anos mais de R$ 171 bilhões destinados à área da saúde não foram executados.

O especialista em orçamentos públicos da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, diz que o grande problema é a falta de gestão.

Ainda de acordo com a pesquisa, para a maioria dos usuários dos SUS, o tempo de espera é o fator que mais contribui para o mau atendimento. Depois, vem a falta de médicos e a falta de estrutura.

Fonte: CBN

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