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“A segurança e saúde como um valor tornam-se inegociáveis, portanto, não existem métodos para deixá-las em segundo plano”

O engenheiro de produção Marlon Ferreira atua na área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) há dez anos, exercendo principalmente função com trabalhos que envolvem trabalho em altura, espaço confinado, prevenção e combate a incêndio e primeiros socorros.

Atualmente divide seu tempo na multinacional Voith Serviços Industriais, em sua empresa de consultoria Resultar Treinamentos e Consultoria, onde presta serviço de treinamento e desenvolvimento profissional em empresas de diversos segmentos, além de estar cursando pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Ferreira explica sua escolha pela profissão, as pessoas. “Dialogar, discutir métodos de trabalho, contribuir para o bem estar físico e mental de colaboradores, os tornando pessoas mais lúcidas, comprometidas e, principalmente, seguras”. Confira nosso bate-papo com esse dedicado profissional da SSMA.

 

Quais são os principais problemas que geram acidentes no ambiente de trabalho? E como evitá-los?

Diversas são as causas de acidentes, mas é comprovado que falhas mecânicas, layout, sistemas elétricos, hidráulicos, dentre outros fatores, correspondem com o menor percentual. As maiores causas são, infelizmente, o ser humano. Métodos de trabalho equivocados, pressão da liderança, necessidade de produção em ritmo acelerado, colaboradores sem treinamento, ferramentas inadequadas, dentre outros fatores pessoais, hoje em dia, correspondem com a maior fatia dos gráficos de acidentes.

Para evitá-los, eu costumo dizer que dependemos da união de equipes multidisciplinares que possuem um interesse na produção “sadia” da empresa. Alguns casos dependem de estudos mais minuciosos de engenharia, mas outros dependem apenas de pequenas atitudes. Uma troca de um estilete comum por um auto-retrátil, uma sinalização de um piso molhado, um cadeado de bloqueio, pequenas atitudes que trazem grandes resultados.

 

Qual a relação entre saúde e segurança no trabalho e a vida fora do trabalho?

Tudo a ver. Costumo dizer que um bom profissional, seja ele de qualquer área, começa a aprender sobre saúde e segurança dentro das empresas. Aprendendo estes conceitos e se tornando um profissional seguro, essas ideais passam a fazer parte da vida do cidadão, se tornando uma cultura, e por que não um valor? A segurança e saúde como um valor tornam-se inegociáveis, portanto, não existem métodos para deixá-las em segundo plano. Viram um pilar da empresa, onde qualquer abalo pode danificar sua estrutura, gerando sérios problemas para a empresa.

Com isso, o sujeito torna-se um multiplicador de saúde e segurança fora da empresa, para seus filhos, amigos e até mesmo desconhecidos; no trânsito e em um convívio social. Não adianta nada se portar com segurança no ambiente de trabalho e ser um cidadão desleixado com a vida. Neste caso, acidentes podem acontecer fora da empresa, gerando um prejuízo enorme pra pessoa.

 

Você acredita que os sindicatos são uma importante ferramenta para envolver trabalhadores nas questões de segurança e saúde?

Sim, desde que seja um dos pilares do sindicato. Existem corporações que realmente buscam melhorias para a classe trabalhadora, através de campanhas, cartilhas, jornais e plebiscitos. Sou a favor de qualquer manifestação, seja pública ou privada, que tenha como princípio a saúde e a segurança.

 

No caso da empresa não ter um profissional da área, como o trabalhador deve agir para tirar dúvidas sobre saúde, higiene e segurança do trabalho ou até mesmo saber se a empresa está cumprindo as normas?

Através da sua Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), onde profissionais são treinados e capacitados para agir em função da saúde e segurança da empresa, buscando situações potenciais de gerar acidentes e/ou doenças ocupacionais e minimizar ou mesmo neutralizar estes riscos. A CIPA é uma importante ferramenta, tão importante quanto o profissional de SSMA dentro das empresas, pois é o elo de ligação entre a gerência da empresa e os colaboradores.

Costumo dizer que todo bom profissional, que preza pelas questões de saúde e segurança dentro das empresas, quer ajudar seus colegas de trabalho. Desta forma, se candidatando à CIPA e realmente mostrando que quer contribuir com algo de útil para a empresa, é um grande aliado para o Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).

Algumas empresas, de acordo com o seu grau de risco e número de funcionários, ficam desobrigadas a constituir a CIPA e, nesse caso, designa algum funcionário para lidar com esta situação.

 

Até que ponto a terceirização pode agir de forma negativa na segurança e saúde no trabalho?

Com a terceirização, alguns funcionários ficarão reféns de algumas leis internas das empresas, que podem ser fracas. Além disso, podem perder uma série de benefícios visto que grandes contratantes “perdem” a responsabilidade sobre funcionários terceirizados. Com isto, a empresa que fornece a mão de obra terá uma rentabilidade menor e, consequentemente, investirá menos em segurança chegando ao ponto de utilizar apenas o básico (quando este for utilizado). Deste modo, a cultura de prevenção de acidentes dentro da empresa pode ser comprometida gerando uma série de contratempos.

 

Dê 5 dicas básicas para um ambiente seguro

  • A vida sempre em primeiro lugar. Procedimentos de segurança devem ser criados pelas empresas para prever situações de risco e, principalmente, agir corrigindo um evento indesejado.
  • Proteções coletivas altamente seguras. De acordo com requisitos legais, a primeira proteção que a empresa deve adotar para seus colaboradores é de caráter coletivo. Proteções de máquinas eficientes, corrimões com material resiste, escadas com soleiras antiderrapantes e enclausuramento de fontes ruidosas são alguns exemplos de  Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s).
  • EPI’s de boa qualidade. A empresa deve ter sua carta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) atualizada com os melhores equipamentos do mercado. Todos os EPI’s devem ser certificados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, atestando assim sua eficácia.
  • Cumprimento do cronograma de ação dos programas legais de saúde e segurança, tais como Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil (PCMAT). Tal cronograma sempre é elaborado de acordo com as necessidades da empresa, e o cumprimento do mesmo sana diversas situações geradoras de doenças ocupacionais e acidentes.
  • Todos pensando em segurança, independente de produtos, processos, pressão, ferramentas, etc. A segurança deve ser pensada por todos da empresa, começando da alta diretoria, chegando à classe trabalhadora mais simples. Ela deve ser um valor para cada um.

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